Quem venceu o debate da ‘Band’, Lula ou Flávio? Veja análise da Jovem Pan

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram neste domingo (18) o primeiro debate presidencial do segundo turno do pleito presidencial. O encontro entre os candidatos, promovido pela Band, foi marcado por duras trocas de acusações pessoais. Veja análise dos comentaristas da Jovem Pan:
André Marsiglia: Flávio Bolsonaro.
“Foi um tom, tirando aquele primeiro enfrentamento em que eles estavam se acostumando ao formato: um espetando o outro. Mas foi o debate moderado. Eu ousaria dizer até que morno. Por isso, talvez as pessoas não tenham gostado. Tenho visto as pessoas falando: ‘O debate não foi exatamente o que eu esperava. Esperava até mesmo uma maior contundência do Flávio’. Há também de se entender a estratégia de cada um. O tudo ou nada aqui deveria ser para o Lula, que está atrás. O Flávio tem empregado um tom de moderação. E ele está ganhando. Seria muito estranho se ele mudasse o tom justamente nesse momento. […] Se você pensar que o voto do Flávio já está conquistado por ele e que o eleitor indeciso. […] Muita gente falando que o debate foi morno. Algumas pessoas próximas ao Flávio dizem esperarem uma maior contundência. Esse tom moderado foi o que trouxe até o momento uma vantagem larga ao Lula. Creio que ele quis manter isso. O eleitor indeciso, que é o que falta a ele conquistar. Ele não vai conquistar o eleitor que até agora é petista ou que vai votar no Lula; ele está atrás do indeciso. O voto do indeciso é muito mais aderente a esse eleitor, à moderação, do que à polêmica e à contundência. Meio que essa foi a estratégia do Flávio. O Lula, que talvez devesse ir para um tudo ou nada, porque está atrás e precisa conquistar votos não apenas de indecisos, mas virar votos, vamos dizer assim, esperava-se dele uma maior contundência, mas o que eu vi do Lula foi mais nervosismo do que contundência”.
Fábio Piperno: Não houve vencedor.
“Esse debate me fez lembrar um pouquinho, olhando em retrospectiva, os fatos que ocorreram lá atrás, no primeiro debate. No famoso debate da TV Globo entre Collor e Lula. Flávio Bolsonaro lembra muito o que fez o ex-presidente Fernando Collor e também muitas coisas das estratégias para debate de Donald Trump. A estratégia de Trump, como, por exemplo, claramente catimbar durante o debate, tentar inervar o adversário. Essa coisa de ficar passando. No começo, fazendo umas caretas, tentando desestabilizar o adversário. As regras permitem; ele estava na dele. Nada que possamos criticar em relação a isso. Uma estratégia, e ele a utilizou. Em relação a Collor de Melo, aquela coisa: você lança uma proposta absurda ou faz um questionamento que está um pouco descabido do mundo real. De qualquer forma, às vezes, cola. Principalmente, quando você tem um discurso mais jovem, com gírias mais atuais. Nesse sentido, eu acho que, na primeira parte principalmente, a comunicação dele foi mais eficiente para, inclusive, conseguir ultrapassar aquele bloco comprido. Os dois tinham 15 minutos, cada um, para ficar um confrontando o outro. Veja, o que o Flávio não fez bem naquele bloco, foi administrar o tempo que ele termina e dá dois minutos para o Lula, mas o Lula aproveitou mal, porque o presidente Lula também, claramente, não é alguém com a agilidade mental de outros tempos. Imagina, por exemplo, Flávio Bolsonaro falar que, no governo Bolsonaro, quem ia ao supermercado, saía com o carrinho mais cheio. Se é o Lula dos velhos tempos, de muita agilidade mental, ele ia falar: ‘Bom, só se conseguisse encher o carrinho na fila do osso’. Mas o Lula perdeu essas oportunidades, porque não consegue ter essa rapidez nas respostas. Eu acho que, por conta disso, ele perdeu uma boa oportunidade para tentar, quem sabe, reduzir essa margem que, hoje, segundo as pesquisas, é de um e dois pontos”.
Jovem pan
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